O que é Mapa Falante?

O Mapa Falante Cedaps é uma Tecnologia Social derivada da Construção Compartilhada de Soluções Locais (CCSL), metodologia reconhecida pela Fundação Banco do Brasil (FBB) em 2005. Ele tem sido amplamente utilizado no mapeamento colaborativo de territórios, permitindo a co-criação de diagnósticos locais e o registro de informações sobre as vulnerabilidades e potencialidades de um território. Seu uso promove a visualização de informações geoprocessadas através de um mapa virtual ou feito a mão impulsionadas concomitantemente por uma cartografia social, proporcionando uma base para o planejamento e monitoramento de ações que atendem às reais necessidades das comunidades.

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Oficinas do 13° Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – Abrasco 2022

Objetivos e Benefícios

A metodologia do Mapa Falante CCSL visa à elaboração de soluções locais, à criação de redes intersetoriais e ao planejamento estratégico para tomadas de decisão mais eficazes. Entre seus principais objetivos, destacam-se:

  • Reconhecimento do território, facilitando o planejamento e execução de soluções.
  • Identificação geográfica de potencialidades e vulnerabilidades, guiando o processo decisório.
  • Fortalecimento da vigilância territorial, promovendo a criação de redes intersetoriais.
  • Fomento à utilização de mapas participativos como ferramentas de análise territorial e incidência política.

Metodologia Participativa

Desde 2001, o Cedaps adota o Mapa Falante Cedaps para construção compartilhada de diagnósticos socioterritoriais, utilizando dados cartográficos e mapas. Este processo inclui a participação ativa da comunidade, que contribui na identificação dos problemas e recursos locais. O produto final é composto por bases impressas e digitais, promovendo a análise socioespacial.

A metodologia é centrada na participação comunitária, onde os participantes não são apenas beneficiários, mas coautores das ações sociais. Essa abordagem permite um diagnóstico mais fiel e inclusivo, refletindo a realidade vivida por aqueles que experienciam o território no dia a dia.

Estrutura e Componentes

O Mapa Falante Cedaps pode ser produzido de duas formas: manual e digital. Ambas as versões seguem um plano formativo que inclui a extração de dados secundários, a construção dos pontos de mapeamento e o desenvolvimento da base cartográfica. A versão digital utiliza a plataforma Google My Maps, enquanto a versão manual é feita com cartolinas e canetas hidrocor, utilizando a memória dos participantes para gerar um mapa visual do território.

Eixos da Metodologia

A metodologia participativa do Mapa Falante Cedaps se organiza em quatro eixos principais:

  1. Visibilidade ao contexto local: o Mapa Falante Cedaps traz à tona os elementos essenciais frequentemente negligenciados do território, facilitando uma compreensão mais profunda da realidade local.
  2. Base para o gerenciamento e planejamento: com as informações coletadas, é possível planejar e monitorar ações de maneira mais eficaz e alinhada às necessidades reais da comunidade.
  3. Participação comunitária e diagnóstico territorial: a metodologia promove a participação ativa da comunidade, permitindo que as pessoas que vivem no território sejam as responsáveis pela identificação dos problemas e soluções.
  4. Qualificação das informações e dados públicos: a coleta de dados junto à comunidade também contribui para a qualificação dos dados públicos, favorecendo o controle social e promovendo maior transparência nas ações governamentais.
Foto: Acervo Ciclo Saúde Proteção Social
Foto: Bel Junqueira / Acervo Cedaps

Experiências do uso da Tecnologia

O Mapa Falante CCSL tem gerado impactos positivos em diversos projetos e comunidades. Alguns exemplos incluem:

  • Comunidades Ribeirinhas: a comunidade de Santa Maria, em Manaus, foi atendida pela metodologia em 2022, quando foi convidada a ser participante do projeto “Participação comunitária no processo de planejamento, organização e oferta dos serviços de saúde em localidades rurais ribeirinhas da Amazônia” conduzido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane da Fiocruz Amazônia.
  • Ciclo Saúde Indígena: em mais uma parceria do Cedaps com a Fundação Vale, o Mapa Falante foi uma das metodologias utilizadas no processo formativo desta cooperação técnica que buscou contribuir para o fortalecimento da Atenção Básica à Saúde Indígena junto a dois Polos Base no Maranhão: Santa Inês e Zé Doca.
  • Gestão de serviços de saúde em Corumbá (MS): o Mapa Falante Cedaps foi transformado em formato digital e distribuído via QR Code nas unidades de saúde, permitindo a identificação de áreas desatendidas.
  • Ciclo Saúde Proteção Social: nesta iniciativa da Fundação Vale, implementada pelo Cedaps, a metodologia Mapa Falante foi incorporada à trilha formativa, ajudando a identificar vulnerabilidade em 59 municípios.

Implementação e Requisitos

Versão Digital

Para implementar a versão digital do Mapa Falante CCSL, é necessário ter acesso a computadores, tablets ou celulares, conexão com a internet e uma conta Google. A plataforma Google My Maps é a principal ferramenta utilizada para a criação e compartilhamento dos mapas. O acesso à internet e a dispositivos móveis são fundamentais, pois possibilitam a edição em tempo real, além de facilitar o uso de imagens que auxiliam na manifestação de memórias e no processo de coleta de dados.

Versão Manual

Para a versão manual, os materiais necessários são cartolinas e canetas hidrocor. Os participantes utilizam esses recursos para desenhar mapas com base nas suas memórias e percepções do território. Fotografias podem ser usadas para estimular o resgate de memórias e a construção do mapa.

Guias e Materiais de Apoio

O Cedaps fornece guias tutoriais tanto digitais quanto impressos, com orientações sobre como utilizar a plataforma Google My Maps, além de materiais para sensibilização e discussão sobre a utilização de mapas como ferramenta de análise territorial.

Conclusão

O Mapa Falante Cedaps é uma metodologia de mapeamento participativo, proporcionando uma forma inovadora de diagnóstico territorial e mobilização social. Ao envolver a comunidade no processo de mapeamento, o Mapa Falante contribui para um planejamento mais inclusivo e eficaz, promovendo a transparência, o controle social e a incidência política. A flexibilidade da metodologia, tanto na versão digital quanto manual, a torna acessível a diversos contextos e recursos, ampliando o impacto de suas ações em diversas comunidades e municípios.

Guia do Mapa Falante Construção Compartilhada de Soluções Locais

Guia de Mapeamento Digital UNICEF liderado por Adolescentes e Jovens