Em 2017, foi publicado o artigo Geotecnologias para prevenção de riscos e desastres: usos e potencialidades dos mapeamentos participativos na Revista Brasileira de Cartografia, fruto de uma colaboração estratégica entre o Cedaps, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), a MapAir Aerolevantamento e a SEE-SP, com autoria do Coordenador da Frente da Juventude do Cedaps, Ives Rocha.
O estudo analisa como o diálogo entre a cartografia técnico-científica (realizada por especialistas) e a cartografia social (baseada no saber local) pode fortalecer a prevenção de desastres. O objetivo é transformar cidadãos, antes vistos apenas como “objetos” de mapeamento, em sujeitos ativos na produção de conhecimento sobre seus próprios territórios.
O artigo destaca metodologias participativas aplicadas em territórios do Rio de Janeiro, em parceria com o UNICEF, que conectam geotecnologias ao cotidiano das favelas por meio do protagonismo juvenil. Entre as técnicas mais inovadoras, destaca-se o mapeamento aéreo de baixo custo com o uso de pipas e aerofólios equipados com câmeras, que permitem aos jovens captar imagens de alta resolução de seus próprios territórios, complementadas pelo uso do aplicativo Voices of Youth Maps para georreferenciar pontos críticos em tempo real.
Essa relação socioambiental se traduz em ações práticas que vão além do mapeamento: a identificação de acúmulos de resíduos, por exemplo, impulsionou projetos como o ReciclAção, que transformou áreas críticas em espaços de lazer, além de possibilitar o reconhecimento de precariedades na infraestrutura local e a definição de rotas de fuga vitais para a segurança da população em situações de risco.
Em síntese, a partir de experiências práticas de aplicação de mapeamentos participativos e uso de geotecnologias, os pesquisadores demonstram as potencialidades desta metodologia e ferramentas que envolvem diferentes atores sociais, moradores de territórios populares, no processo de mapeamento de riscos de desastres e construção de soluções para as demandas socioambientais em seus territórios. Segundo os autores: “As técnicas de cartografia, as geotecnologias, as técnicas de pesquisas científicas e as tecnologias de informação e comunicação, quando utilizadas a partir de uma abordagem participativa, são instrumentos imprescindíveis na formação das comunidades de aprendizagem para prevenção de risco de desastres”.