O ano de 2025 foi um ano de intensa produção cartográfica, fortalecimento metodológico e ampliação das estratégias de base territorial. Composto por uma equipe acadêmica, o Núcleo de Geoplanejamento apresentou suas pesquisas em diversos eventos científicos e ampliou o espaço de produção do conhecimento aplicado ao geoplanejamento nas redes para a produção de soluções locais.

Produções e conquistas
O Núcleo de Geoplanejamento produziu 151 mapas digitais nos Polos Sul e Maranhão, o Mapa do Decola Cria e 6 mapas do Roda Familiar. Além disso, a equipe produziu 325 mapas impressos nos Polos Sul e Maranhão, 1 do Decola Cria e mais 19 da Roda Familiar. Foram 476 mapas produzidos nas áreas de abrangência este ano e um total de 503 mapas.
Foram realizadas 53 Oficinas formativas de Apoio à Gestão, 26 Oficinas de Transferência de Tecnologia, 130 Encontros de Mapeamentos e 47 reuniões técnicas, totalizando 257 atividades.
43 Painéis Temáticos foram entregues no ano de 2025, 38 para o SUS, 2 para o SUAS, 2 para o Roda Familiar e 1 para o Programa Saúde na Escola.
A equipe também publicou um artigo na Revista Estrabão, realizou 3 atividades de Workshop e Mini Cursos e participou de 6 eventos ao longo do ano.
A metodologia do Mapa Falante-Territórios em Solução Compartilhada, utilizada pelo Cedaps há mais de 20 anos, recebeu o prêmio Periferia Viva 2025, uma iniciativa do Governo Federal por meio do Ministério das Cidades. A premiação tem como objetivo valorizar iniciativas que contribuam para reduzir desigualdades socioterritoriais e potencializar territórios periféricos. Fomos selecionados como a 9ª iniciativa premiada no Brasil e a 1ª da região sudeste entre as assessorias técnicas. Esse reconhecimento reforça a importância da metodologia do Mapa Falante no campo do Planejamento territorial participativo e no fortalecimento das comunidades e movimentos sociais pelo direito à cidade.
Divulgação científica, pesquisa e participação em eventos
No ano de 2025, o Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps participou de vários Seminários e Congressos Científicos, reforçando seu compromisso com a promoção do conhecimento para o fortalecimento de redes de comunidades mais justas, saudáveis e sustentáveis.
Levamos a metodologia do Mapa Falante para espaços de troca e debates entre pesquisadores de todos os Estados do Brasil, compartilhando experiências de construção participativa de diagnósticos territoriais e soluções locais para os desafios enfrentados pelos moradores de territórios populares. Também apresentamos tecnologias como o Google My Maps que são ferramentas potentes de construção de mapeamentos participativos e monitoramento de dados.
Confira os principais eventos que o Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps participou este ano:
1º Workshop de Geografia da Saúde da UERJ
Entre os dias 8 e 10 de outubro de 2025, o Núcleo esteve presente no I Workshop de Geografia da Saúde da UERJ, evento que promoveu debates sobre perspectivas teóricas e experiências com uso de geotecnologias para construção de soluções na área da saúde. O Cedaps foi parceiro técnico e Sergio Lins (PPGEO UERJ), Consultor do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps, fez parte do comitê organizador do evento.
Na oficina “Teoria e Prática à Geografia da Saúde”, ministrada por Beatriz Rebello, organizada por Fernanda Godoy, Assessoras Técnicas do Núcleo Geoplanejamento do Cedaps, e com colaboração de Marcelle dos Santos Rodrigues (PPGEO/UERJ) e Raiane Fontes de Oliveira (Fiocruz), as autoras apresentaram fundamentos da Geografia da Saúde aliado a práticas de análise espacial através do uso do software QGIS. Os participantes da oficina tiveram a oportunidade de aprender a construir bases geográficas, centroides e aplicar a técnica da Densidade de Kernel para realizar diagnósticos territoriais de doenças.
Matheus Edson Rodrigues, assessor técnico e assistente de território do Cedaps, e Emanueli Minatti (PPGF/USP) ministraram o minicurso “Como funciona o R? Um Olhar Geográfico sobre Saúde e Espaço”, apresentando o software R como ferramenta pode apoiar análises espaciais e epidemiológicas de forma acessível e gratuita, contribuindo para a área da Geografia da Saúde.
Gabriella Vicente (coordenadora do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps) e os bolsistas do núcleo, Luiza Neves e Sergio Lins, realizaram a oficina “Mapeamento Participativo e o Mapa Falante Cedaps” apresentando sua metodologia, que integra cartografia social e geoprocessamento para leitura e representação de territórios sob a ótica da população local. Os participantes foram convidados a debater sobre a função do mapeamento participativo na formulação de políticas públicas e na promoção da saúde.
Além disso, Gabriella Vicente compôs a mesa “Governança em Saúde: Territórios, Interseccionalidades e Políticas Públicas” representando o Cedaps, junto a Andre Lima (Fiocruz), Felipe Vommaro (SMS-Rio), Rose Firmino (Museu Sankofa) e Zilda Soares (Coletivo Fala Akari), debatendo governança em saúde a partir de perspectivas que articulam território, equidade e interseccionalidade e a promoção de diálogos democráticos e intersetoriais para a construção de políticas públicas inclusivas.

Participação no Seminário do Instituto de Medicina Social da UERJ
O Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps participou do Seminário discente “Corpos Estranhos? Fronteiras e confluências na Saúde Coletiva” no Instituto de Medicina Social (IMS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Gabriella Vicente, Júlia Ferreira (PPGEO PUC-Rio), Bolsista do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps, Rafaela Aparecida (PPGG UFRJ), Bolsista do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps e Sergio Lins, ministraram a oficina “Mapa Falante: Território em soluções compartilhadas”.
A oficina promoveu a formação junto a pesquisadores e profissionais profissionais da área da saúde na construção de mapas de análise territorial a partir da metodologia do Mapa Falante do Cedaps, com uso de técnicas de mapeamento participativo e de ferramentas digitais gratuitas para ampliação de redes de cuidado e participação social nos territórios.
No dia 06 de novembro, o resumo do ensaio “Tecnologias Digitais no Monitoramento de Encontros de Mapeamento: Uso do Google Forms e da Linguagem R na Avaliação dos Encontros” com autoria de Gabriella Vicente, junto aos co-autores Stefany Vieira Alves de Oliveira (FAVENI), Bolsista do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps, Matheus Edson Rodrigues da Silva, e Letycia Souza Cavalcanti (IESC/UFRJ), Bolsista do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps, foi apresentado no Coletivo Temático 4 “CORPOS TECNOLÓGICOS: Tecnologias, dados e poder na saúde coletiva.
O trabalho destacou as potencialidades do uso de metodologias participativas combinadas à análise de dados em linguagem R para a qualificação de informações sobre o acesso à políticas de saúde nos territórios, contribuindo para uma análise intersetorial de ações e o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) e dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).
O resumo do ensaio “Geoplanejamento em Saúde: a Análise do Território Como Ferramenta Para o Combate às Iniquidades” foi apresentado no mesmo dia, em outra sessão do Coletivo Temático 4 “CORPOS TECNOLÓGICOS: Tecnologias, dados e poder na saúde coletiva”, por Matheus Edson Rodrigues da Silva. Estiveram presentes os coautores do resumo: Gabriella Vicente, Rayra Pereira Buriti Santos (ENSP/Fiocruz), Bolsista do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps, Bruno Alves Salgado (PPGEO PUC-Rio), Assessor técnico e Assistente de território do Cedaps, Letycia Souza Cavalcanti e Stefany Vieira Alves de Oliveira.
Matheus Edson apresentou a metodologia de diagnóstico socioterritorial desenvolvida no Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps que integra dados primários e secundários com o intuito de orientar a tomada de decisão e o planejamento em saúde pública. A pesquisa demonstrou as potencialidades de aliar informação geográfica, diagnóstico sociodemográfico e participação social para a APS e a importância estratégica da divulgação de dados, que transforma informação em ferramenta concreta de planejamento e decisão para gestores e equipes de saúde, viabilizando impacto real na saúde da população.

XVIII Congresso Latino-Americano de Medicina Social e Saúde Coletiva – ALAMES 2025
Entre os dias 04 e 08 de agosto, a equipe do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps esteve no ALAMES, um dos principais encontros de saúde coletiva da América Latina, apresentando o trabalho “Territórios Que Falam: Escutas Qualificadas Com Agentes Comunitários de Saúde Para Construção Participativa de Mapas”. Compondo o Eixo temático 4 ” SAÚDE E DEMOCRACIA: Saúde e Democracia/Participação social e saúde”, o trabalho propôs relatar a experiência do Núcleo com a construção de mapas participativos por meio da escuta ativa de Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que promovem a mediação entre equipe e comunidade, para produzir registros dos desafios, potencialidades e diagnósticos nos territórios populares. Os autores destacaram a importância da escuta qualificam e o mapeamento participativo para a análise territorial e para potencializar a rede de Atenção Primária em Saúde (APS).
O trabalho foi apresentado por Gabriella Vicente e realizado em coautoria com Stefany Vieira Alves de Oliveira, Rayra Pereira Buriti Santos, Letycia Souza Cavalcanti, Beatriz Rebello Ruzza de Carvalho, Luisa Firmino de Souza e Kátia Maria Braga Edmundo, Diretora Executiva do Cedaps.

XII Simpósio Nacional de Geografia da Saúde
A equipe do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps ministrou o Minicurso: Mapa Falante Cedaps: Territórios em Construção Compartilhada – Uma metodologia de análise para mapeamento participativos na Geografia da Saúde no Simpósio Nacional de Geografia da Saúde, que aconteceu no dia 3 de dezembro na na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) .
Sergio Lins de Carvalho e Matheus Edson Rodrigues ministraram o o minicurso que teve como principal tema o uso de metodologias de mapeamento participativo e tecnologias de Construção Compartilhada de Soluções Locais do Cedaps, em diálogo com conceitos de Geografia da Saúde. Ao final, os participantes construíram um mapa colaborativo e debateram sobre a utilização do mapa no apoio a ações produzidas com a participação de moradores de territórios populares.

Abrascão 2025
O Núcleo de Geplanejamento esteve no no 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – ABRASCÃO 2025, realizado no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília/DF. A equipe do Núcleo apresentou 3 pôsters na atividade Relato de Experiência: “Sistematização e Geoprocessamento de Dados do Novo Modelo de Cofinanciamento da Atenção Primária à Saúde – Aps: Relato de Experiência com o My Maps e Looker Studio”, “Contribuições aos Municípios para Atender os Desafios do Novo Cofinanciamento da Atenção Primária à Saúde” e “Mapa Falante dos Riscos no Trânsito no Reconhecimento de Fatores de Exposição à Insegurança Viária”.
O pôster “Sistematização e Geoprocessamento de Dados do Novo Modelo de Cofinanciamento da Atenção Primária à Saúde – Aps: Relato de Experiência com o My Maps e Looker Studio” foi apresentado no Eixo temático 05, Atenção Primária à saúde, por Gabriella Vicente, Luisa Firmino de Sousa, Rayra Pereira Buriti Santos, Stefany Vieira Alves de Oliveira, Letycia Souza Cavalcanti, Beatriz Rebello Ruzza de Carvalho, Bruno Alves Rocha, Manuella Thereza Cabral Pessanha (ENSP/FIOCRUZ) e Tayllany Zimmerer Silveira (UFJF), do Cedaps.
O trabalho usou como metodologia a análise exploratória e documental para mapear dos dados de cofinanciamento da APS entre janeiro e março 2025.A conclusão que os autores apontaram é que as tecnologias de georreferenciamento e de ferramentas como o Google My Maps e o Looker Studio apoiam a produção de dados e indicadores de avaliação de políticas públicas, subsidiando ações mais eficazes de promoção da saúde, principalmente em territórios mais vulneráveis. Além disso, apontam caminhos estratégicos e possibilidades de implantação de novas equipes, reterritorialização de áreas adscritas, ampliação de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e fortalecimento da cobertura e efetividade da Área de Promoção da Saúde (APS) no SUS.
Também no Eixo 05, o pôster “Contribuições aos Municípios para Atender os Desafios do Novo Cofinanciamento da Atenção Primária à Saúde” foi produzido em coautoria e apresentado por Sergio Lins de Carvalho, Gabriella Vicente, Rayra Pereira Buriti Santos, Beatriz Rebello, Stefany Vieira Alves, Fernanda de Godoy Almeida Moura (IBMEC) e Katia Edmundo.
O levantamento contemplou dados sobre quantitativo, credenciamento, homologação, regularidade e status de pagamento das equipes de Saúde da Família (eSF), de Atenção Primária (eAP), de Saúde Bucal (eSB) e multiprofissionais (eMulti). Além disso, os pesquisadores analisaram o número de eSF atuando acima do limite máximo permitido de população adscrita, a cobertura de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) diretos e indiretos na composição das eSF, a defasagem em relação ao teto estimado pelo Ministério da Saúde para esses profissionais. Os autores concluíram a partir da sistematização dos dados que existem fragilidades na cobertura e organização das equipes de APS e destacaram a importância do monitoramento contínuo para subsidiar decisões e adequações territoriais.
Sergio Lins de Carvalho, Julia de Sousa Ferreira, Gabriella Vicente, Matheus Edson Rodrigues e Maria Corrêa e Castro (UERJ), do Cedaps, apresentaram no Eixo temático 23, Planejamento, Gestão e Avaliação na Saúde, o pôster “Mapa Falante dos Riscos no Trânsito no Reconhecimento de Fatores de Exposição à Insegurança Viária”.
O objetivo do trabalho foi demonstrar o potencial do uso da tecnologia social do Mapa Falante do Cedaps em um ambiente escolar, durante as Oficinas do Mapa Falante dos Riscos no Trânsito, parte do projeto piloto “A Caminho da Escola 2.0”, idealizado pela CET-Rio e parceiros. Os pesquisadores demonstraram a importância do monitoramento e avaliação de dados que, articulados com educação escolar podem apoiar estratégias de prevenção e promoção da saúde e cidadania, além de subsidiar novas políticas e marcos regulatórios para prevenção de riscos no trânsito.
