
Entre os dias 8 e 10 de outubro de 2025, o Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps participou do I Workshop de Geografia da Saúde da UERJ. A programação do evento contou com oficinas e mesas de debate que integraram teoria, prática e reflexão crítica sobre o território, a saúde e o uso de geotecnologias.
Dessa forma, as atividades realizadas pelo núcleo reforçaram o compromisso do Cedaps com a promoção da saúde coletiva, a produção de conhecimento aplicado e a democratização das ferramentas de planejamento territorial voltadas às políticas públicas.
Dia 08/10 – Oficina “Teoria e Prática à Geografia da Saúde”
A programação foi aberta com a oficina “Teoria e Prática à Geografia da Saúde”, conduzida por Beatriz Rebello e organizada por Fernanda Godoy, Assessoras Técnicas de Geoplanejamento do Cedaps. A oficina teve também a colaboração de Marcelle dos Santos Rodrigues (PPGEO/UERJ) e Raiane Fontes de Oliveira (FioCruz).
Primeiramente, a atividade apresentou os fundamentos teóricos da Geografia da Saúde, articulando-os com práticas aplicadas de análise espacial por meio do software QGIS. Utilizando dados do DATASUS e DATARIO sobre casos confirmados e óbitos por COVID-19 no município do Rio de Janeiro (março a setembro de 2020), os participantes aprenderam a estruturar bases geográficas, criar centroides e aplicar a Densidade de Kernel (K). Esta técnica, permite identificar áreas de maior concentração de casos de doenças como a Covid-19.
Afinal, a oficina evidenciou como o uso de geotecnologias auxiliou na interpretação das dinâmicas espaciais da pandemia. Seus usos seguem contribuindo para a compreensão das desigualdades territoriais em saúde e reforçam o papel do geoplanejamento como instrumento de justiça socioambiental.
Confira as fotos da Oficina “Teoria e Prática de Geografia da Saúde”




Dia 09/10 – Minicurso “Como funciona o R? Um Olhar Geográfico sobre Saúde e Espaço”
No segundo dia, Matheus Edson Rodrigues, assessor técnico e assistente de território do Cedaps, e Emanueli Minatti (PPGF/USP) ministraram o minicurso “Como funciona o R? Um Olhar Geográfico sobre Saúde e Espaço”.
A proposta apresentou o software R como ferramenta para análises espaciais e epidemiológicas. Em seguida, demonstraram sua aplicação prática por meio de dados de mortalidade infantil no período entre 2010 e 2019, obtidos do SIM e do SINASC, segundo os Distritos Administrativos de São Paulo.
Além disso, os participantes aprenderam a calcular taxas padronizadas de mortalidade infantil e a representar seus resultados em mapas temáticos, utilizando os pacotes Tidyverse e ggplot2. A atividade combinou exposições teóricas e exercícios práticos, demonstrando como o R integra a análise estatística e espacial de forma acessível e gratuita.
Por fim, o minicurso consolidou o uso do R como uma ferramenta de grande potencial para a Geografia da Saúde. Os participantes foram incentivados à aderir práticas de pesquisa abertas, reprodutíveis e orientadas à compreensão das desigualdades em saúde.
Veja as fotos do Minicurso “Como funciona o R? Um Olhar Geográfico sobre Saúde e Espaço”




Dia 10/10 – Oficina “Mapa Falante: Territórios em Construção Compartilhada”
Encerrando as atividades práticas do núcleo, foi realizada a oficina “Mapeamento Participativo e o Mapa Falante Cedaps”. A atividade foi conduzida por Gabriella Vicente (coordenadora do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps) e pelos bolsistas do núcleo, Luiza Neves e Sergio Lins.
A oficina apresentou, primeiramente, a metodologia do Mapa Falante Cedaps – Territórios em Construção Compartilhada. A metodologia integra cartografia social e geoprocessamento para leitura e representação de territórios sob a ótica da população local.
Durante a atividade, os participantes refletiram sobre o significado de “mapear” e a construir coletivamente um mapa do território da UERJ. No processo de construção do mapa, os participantes identificaram potencialidades, vulnerabilidades e serviços públicos disponíveis no território. Em seguida, os grupos digitalizaram seus mapas no Google My Maps, aprendendo a criar camadas, pontos e descrições personalizadas.
Como resultado dessa experiência, os participantes puderam refletir sobre o papel do mapeamento participativo na formulação de políticas públicas e na promoção da saúde. Destacou-se a importância da valorização do conhecimento comunitário e da leitura compartilhada do território como bases para a ação coletiva.




Dia 10/10 – Mesa “Governança em Saúde: Territórios, Interseccionalidades e Políticas Públicas”
Na parte da tarde, a coordenadora Gabriella Vicente representou o Cedaps na mesa “Governança em Saúde: Territórios, Interseccionalidades e Políticas Públicas”. Junto à ela estavam Andre Lima (Fiocruz), Felipe Vommaro (SMS-Rio), Rose Firmino (Museu Sankofa) e Zilda Soares (Coletivo Fala Akari).
O debate abordou a governança em saúde a partir de uma perspectiva que articula território, equidade e interseccionalidade. Nessa perspectiva, foram debatidos os atravessamentos de gênero, raça, sexualidade e ambiente na construção de políticas públicas. Além dessas pautas, a mesa reforçou a necessidade de uma governança democrática e intersetorial, sustentada por evidências científicas e pelo diálogo entre saberes. Assim, reafirmamos o compromisso do Cedaps com a promoção de territórios saudáveis e sustentáveis.



Geotecnologias aliadas à escuta comunitária para promover territórios saudáveis
A participação do Núcleo de Geoplanejamento do Cedaps no I Workshop de Geografia da Saúde da UERJ consolidou sua atuação como referência em metodologias participativas, formação técnica e produção de conhecimento aplicado à saúde coletiva e à justiça territorial.
As ações desenvolvidas ao longo dos três dias, sobretudo, demonstraram como o uso das geotecnologias, aliado à escuta comunitária e à integração interdisciplinar, pode fortalecer processos de planejamento e políticas públicas. Especialmente, políticas públicas voltadas à reduzir desigualdades e à construir territórios mais justos, saudáveis e sustentáveis.